Domingo é dia de almoçar com a família, tirar aquela pestana a tarde, ir à missa e depois dar uma voltinha com as amigas. Talvez não nessa ordem, mas o que importa é que cumpri o meu ritual dominical como deve ser feito...
Já no fim da tarde, fui a um barzinho com uma amiga para colocarmos as fofocas em dia. A pauta do dia, eram os "inomináveis" que hora apareciam e hora sumiam do mapa, nos deixando com os corações na mão. Acho que com a idade essa coisa de "You're hot then you're cold/you're yes then you're no..." perde o sentido pois teoricamente já deveríamos saber o que queremos. Mas vá lá... Daremos um desconto aos "inomináveis" pois meu encontro com "ele" me despertou a razão.
A noite caiu, a cerveja subiu e as horas se passaram. O trajeto até minha casa foi tão rápido que nem tive tempo de me acomodar no banco do carro, mas foi o suficiente para pensar! Pensar em como essa vida errante já não tem mais graça; pensar que tudo o que eu queria era chegar em casa e dizer "oi, cheguei" por qualquer meio de comunicação: seja fibra ótica, sinal de fumaça ou até mesmo o bom e velho fio de cobre. O que eu não sabia, é que o destino me reservava uma surpresa, dessas típicas dos clássicos do cinema!
Lentamente, subi as escadas que levam a portaria do prédio. Estava distraída, com a cabeça cheia de vontades... Só percebi o vulto correndo de uma jardineira à outra, passando por mim como um raio. Meu coração gelou! Dei uma descarga mental e despachei tudo o que se passava na minha cabeça para me concentrar no que estava acontecendo ali, naquele momento. "Ele" estava bem a minha frente, escondido atrás do vaso de plantas logo ao lado do portão. Do carro as meninas gritaram: " O que é isso?" Pé ante pé caminhei até o vaso, com muito cuidado para não assutá-lo. abaixei um pouco o corpo e me inclinei para ver o que havia atrás do vaso. Foi então que eu "o" vi. Meu coração se encheu de candura, mas o feedback foi extremamente negativo, como tem sido com os seres do gênero masculino. Veio um novo grito do carro: "O que é?", e eu respondi cheia de alegria com esse inesperado encontro: "É um gambá!!". As meninas riram aliviadas e partiram, e eu fiquei ali sorrindo praquele bichinho assustado. Tentei me aproximar, mas nitidamente os pelos de suas costas se eriçaram e o ruído que saiu de sua boquinha não foi muito estimulante... Mais uma reação típica dos machos... Saquei meu celular da bolsa e tirei logo umas três fotos para registrar esse momento mágico.
Minha presença deve ser muito assustadora porque eu ainda tentei passar o bichinho pra dentro do prédio com a intenção de providenciar algo de comer e beber. Só que ao abrir o portão o que se viu foi a grande fuga: acho que ele juntou todas as suas energias e correu pra longe de mim, rumo a rua sem nem dar uma olhadinha pra trás, enquanto que do portão, eu o acompanhava com o olhar dizendo baixinho, só pra eu ouvir: "Vem cá bichinho, deixa eu cuidar de você..."
Ó a foto dele no post abaixo...